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Micro e Pequenos EcoNegócios

13 de Março de 2014

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Restaurante transforma resíduos de alimentos em adubo e premia quem não desperdiça

Um restaurante com 43 anos de atividades em Vilhena é referência em práticas sustentáveis no Estado de Rondônia e na região norte. O empreendimento produz adubo orgânico a partir de resíduos de alimentos para ser aplicado na plantação de hortaliças e legumes, que abastece sua cozinha.

Cerca de 40 tipos de pratos integram o cardápio do Restaurante Mariza. Outra inovação é o fato de premiar clientes que não deixam sobras. Esses pagam menos pelas refeições. Plásticos, vidros, papéis, entre outros tipos de resíduos são separados e doados aos catadores da cidade.

O Restaurante Mariza foi montado à beira da então BR-29, que anos mais tarde se tornaria a BR-364, responsável por ligar Brasília (DF), Cuiabá (MT), Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC). Naquela época, Rondônia ainda era Território Federal. Localizado junto ao posto de gasolina, o empreendimento sempre foi referência e atraiu muita gente, desde os tempos de colonização do estado rondoniense.

Em 1977, a cidade de Vilhena (RO), considerada o Portal da Amazônia Ocidental, foi emancipada e transformada em município. O restaurante, portanto, nasceu antes da cidade. “Quando aqui cheguei, não havia nem o Estado de Rondônia, nem o município de Vilhena”, recorda João Luiz Nunes Corbari.

Desbravador de oportunidades

Em 1984, ele comprou o Mariza do primeiro proprietário, que se mudou para outra cidade de Rondônia. Paranaense disposto a desbravar e aproveitar as oportunidades nas regiões centro oeste e norte, já havia passado por Cuiabá e o garimpo de Alta Floresta em Mato Grosso.

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Salada é o carro-chefe do restaurante/Foto: Sebrae/Divulgação

Hoje, o Mariza fica no centro da cidade, onde foi instalado o primeiro semáforo. Cerca de 200 pessoas/dia almoçam e degustam pizza à noite no empreendimento. O forno é à lenha, comprada em madeireiras, esclarece o empresário. “Nunca fiz derrubada. Tenho vontade de comprar terra para reflorestar”, ressalta.

Salada confiável

A qualidade da salada atrai a clientela, segundo João. “É o carro-chefe do restaurante. Os clientes sabem que a produção é própria, confiável e sem agrotóxicos”, justifica o empresário. Ele cultiva hortaliças e legumes nos sistemas aberto e estufa em sua chácara. Alface, tomate, agrião, rúcula, coentro, salsa,salsinha, hortelã, berinjela, mandioca, entre outros, vão direto da chácara para a cozinha do restaurante.

A sustentabilidade atrai clientela, hoje em dia. Cerca de 20% das pessoas têm consciência ambiental. Estamos unindo o útil ao agradável ao fazer as práticas sustentáveis. Se todo mundo fizesse a sua parte, o número de caminhões de lixo diminuiria”
João Luiz Nunes Corbari, dono do restaurante

Os preços das refeições também justificam o tamanho da clientela, pois são justos e acessíveis, segundo ele: R$ 15, livre para se servir à vontade; e R$ 29/ quilo. Quem come tudo, sem deixar sobras no prato, paga R$ 10,90 por refeição.

O desconto para o cliente, que não deixa resíduos, foi a solução para um grande problema. “Sobravam 200 quilos/dia de comida”, conta. “Quando levo os resíduos de comida para a compostagem, que depois vira adubo orgânico, evito o descarte em lixão, cachorros e bagunça na rua. Acabo ajudando, também, o trabalho dos garis”, complementa o empresário.

A horta própria gera economia em torno de 10% nos custos do restaurante.

Outras práticas sustentáveis

Além de separar plásticos, vidros, papéis e outros materiais para doá-los a catadores da cidade, João tem muito cuidado com o consumo de água. “O pessoal não pode me ver perto da pia. Fecham logo a torneira”, brinca.

Ele também relata que usa ‘luz solar’, se referindo com bom humor às telhas transparentes, que deixam o sol entrar e ilumina naturalmente o ambiente. Um apart hotel com 17 apartamentos funciona junto ao restaurante. Lá há placas solares para aquecer a água dos chuveiros, informa. Todas as lâmpadas do empreendimento são fluorescentes e mais econômicas.

“A sustentabilidade atrai clientela, hoje em dia. Cerca de 20% das pessoas têm consciência ambiental. Estamos unindo o útil ao agradável ao fazer as práticas sustentáveis. Se todo mundo fizesse a sua parte, o número de caminhões de lixo diminuiria”, observa João.

O Restaurante Mariza também atua como fornecedor de bufê para eventos e festas de órgãos públicos e privados, além de participar de pregões para prestar esse tipo de serviço, responsável por 50% das vendas, segundo o empresário. Catorze funcionários compõem o time do restaurante, que trabalha de segunda-feira a sábado, em sistema de rodízio.

Ele, a esposa e um dos filhos cuidam do empreendimento e fizeram vários cursos do Sebrae. João gosta de participar da vida da comunidade e frequenta os concorrentes na folga, aos domingos. “Não somos rivais, somos parceiros”, explica. 

(Via Centro Sebrae de Sustentabilidade)

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