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Mudanças Climáticas

08 de Janeiro de 2016

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Cientistas defendem oficialização do Antropoceno como nova época geológica

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Antropoceno deixaria sinal em camadas de rochas como as linhas do Grand Canyon
Foto: Tony Hisgett/CC

O termo Antropoceno (da palavra grega anthropos, homem) foi cunhado na década de 1980 pelo ecólogo americano Eugene Stoermer para ilustrar o impacto das populações humanas no ambiente. Agora, porém, já merece ser oficialmente incorporado ao vocabulário dos geólogos. Essa proposta é defendida em um estudo publicado na quinta-feira, 7 de janeiro, pela revista Science.

Liderada pelo geólogo Colin Waters, cientista do Serviço Geológico Britânico, a pesquisa demonstra que o Antropoceno passou a exibir a maior parte de seus sinais distintivos a partir de 1950, e encerra a época do Holoceno, que começou há 11.700 anos.

"Os depósitos antropogênicos recentes contém novos tipos de rochas e minerais, refletindo uma rápida disseminação global de alumínio puro, concreto e plástico", afirma o estudo. "A queima de combustíveis fósseis disseminou fuligem, esferas de cinza inorgânica e partículas carbonáceas esféricas por todo o mundo."

Materiais 'tecnofósseis'
Waters e seus colaboradores chamaram de “tecnofósseis” esses materiais propensos a sobreviver no futuro. Ele e pesquisadores de outras 21 instituições que assinam o estudo afirmam que o Antropoceno já possui "estratigrafia" -- a identificação de épocas geológicas pela deposição de camadas no solo - distinta daquela do Holoceno.

Se o aquecimento global continuar desenfreado, dizem os pesquisadores, a população humana vai encerrar não apenas o Holoceno, uma "época geológica", mas também o Quaternário, um "período geológico"

Além das mudanças em camadas geológicas, paleontólogos em um futuro distante serão capazes de identificar um evento de extinção em massa de espécies. Trabalhos citados pelo estudo indicam que o planeta está no rumo de perder 75% das espécies nos próximos séculos.

Aquecimento global
O Antropoceno também é distinto do ponto de vista da mudança climática global, causada pelo aumento da concentração de gases do efeito estufa, dizem os pesquisadores. "As concentrações atmosféricas de gás carbônico e metano se distanciam do Holoceno começando por volta de 1850 e mais acentuadamente em 1950", escrevem.

As mudanças são visíveis tanto na análise de sedimentos depositados mais recentemente quanto no gelo que vem se formando em regiões polares. Geólogos tradicionamente usam "testemunhos", longas colunas de geleiras perfuradas, para analisar a composição de gás atmosférico capturado em bolhas milhares de anos atrás.

Algumas mudanças detectadas são mais sutis, mas também distintivas. Duas delas são subida de temperatura, que chega a uma média global de 0,9°C acima do natural, e o aumento no nível do mar, numa média de 3,2 mm por ano após a década de 1990. Os números podem parecer pequenos, mas não há registro de que tenham sido assim nos últimos 14 mil anos.

Se o aquecimento global continuar desenfreado, dizem os pesquisadores, a população humana vai encerrar não apenas o Holoceno, uma "época geológica", mas também o Quaternário, um "período geológico" - recorte de tempo maior, iniciado 2,6 milhões de anos atrás.

Mais visibilidade
O estudo publicado na Science ainda mapeia outros sinais da presença humana no planeta que devem perdurar ao longo das eras. Um deles é a mudança na deposição de sedimentos causada pela urbanização, pelo desmatamento e pela construção de represas.

Outro deles é o uso de armas nucleares, detonadas duas vezes no fim da Segunda Guerra Mundial e dezenas de vezes em testes até depois do século 20. Apesar de relativamente breve, esse intervalo deixou um excesso de carbono-14 - uma versão mais pesada do átomo de carbono - que será depositado no estrato geológico em formação agora.

"Essas novas assinaturas estratigráficas corroboram a formalização do Antropoceno no nível de época, com um limite de início posicionado adequadamente no meio do século 20", ressaltam os cientistas.

A adoção de um novo nome para definir o período atual, afirmam os pesquisadores, pode não mudar radicalmente a perspectiva da ciência, que já está ciente daquilo que ocorre. Na área da educação, porém, a medida daria mais visibilidade à seriedade das mudanças ambientais que o planeta sofre.

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