Editorias / Juventude
HOME | Posts | 2016 | Posts | Julho | Jovem que criou solução para tratar água precisa de ajuda para ir a evento no MIT

Juventude

15 de Julho de 2016

Leia Também
 

Jovem que criou solução para tratar água precisa de ajuda para ir a evento no MIT

anna-ecod.jpg
Anna desenvolveu um dispositivo de fácil adaptação para desinfecção solar da água a ser instalado em cisternas e reservatórios
Foto: Divulgação

Aos 18 anos de idade, a estudante baiana Anna Luísa Beserra vive uma angústia: angariar recursos para representar o Brasil em uma das melhores universidades do mundo, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). O recurso do talento ela já tem (e de sobra). A startup desenvolvida por ela, a Safe Drinking Water for All (SDW), desenvolveu um dispositivo de fácil adaptação para desinfecção solar da água a ser instalado em cisternas e reservatórios. O Aqualuz pode minimizar o problema mundial da escassez hídrica.

Recentemente, Anna, que é estudante de Biotecnologia na Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi selecionada para participar do Global Entrepreneurship Bootcamp, evento do MIT dedicado aos jovens empreendedores mais talentosos do mundo. Mas falta-lhe o recurso financeiro. O encontro será realizado em Boston, nos Estados Unidos, entre os dias 7 e 12 de agosto. Para participar do Bootcamp, a universitária precisa pagar uma taxa de US$ 6 mil (R$ 19,3 mil). Como não ganhou bolsa do MIT, a jovem está realizando uma "vaquinha" virtual para angariar fundos para conseguir se inscrever. Ela precisa arrecadar R$ 30 mil até segunda-feira, 18 de julho. Para contribuir, é só clicar aqui.

O EcoD entrevistou Anna Luísa na quinta-feira (14), por e-mail:

EcoD: Como você ficou sabendo que havia sido selecionada para o curso de empreendedorismo do MIT e qual foi a sua sensação ao receber a notícia?

Anna Luísa Beserra: Eles me enviaram uma carta-convite dizendo que fui aprovada exatamente às 23h38 do dia 22 de junho. Quando vi que tinha sido aceita fiquei eufórica e bem feliz, pois estava em uma expectativa muito grande para esse curso e achava que tinha ido mal na segunda etapa (a da conferência em inglês), e já estava ficando triste... Então foi uma surpresa enorme ter sido aceita, porém um trecho da mesma carta dizia que não fui selecionada para a bolsa e tinha até o dia 30 de junho para pagar 2 mil dólares e até o dia 7 de julho para pagar outra taxa, de 4 mil dólares, totalizando 6 mil dólares, quase 20 mil reais, só de taxas do MIT. Fiquei desesperada por saber que minha família não teria condições de me ajudar e pelo prazo curto, ainda mais sendo época de São João aqui na Bahia, o que significava que poucas pessoas poderiam contribuir. Mesmo assim, não quis desistir: o não eu já tinha, fui buscar o sim. Pedi um prazo maior à eles e me deram até dia 16 de julho. Comecei uma campanha nas redes sociais, compartilhando meus dados bancários e contando a história. Nascia a campanha de financiamento coletivo pela plataforma Vakinha (a qual já estou finalizando, pois só posso retirar as doações 14 dias após cada depósito, fora as taxas cobradas).

Quando a SDW foi criada você imaginava ir tão longe, sendo agora selecionada para participar de um evento dedicado aos jovens empreendedores mais talentosos do mundo?

Claro que não. A SDW começou pequena, quando eu ainda tinha 15 anos, e minha projeção era apenas criar uma invenção, não tinha nenhuma perspectiva de vender e nem de tornar a SDW uma empresa. Até agora, já com 18 anos, participei de vários eventos nacionais representando a minha startup, ocupando lugares de destaque: Prêmio Santander Universidades, Prêmio Melhor da Inovação, Brazil Lab... Já fui semifinalista até do Eco-Challenge do TIC Americas, um evento muito disputado e que foi uma imensa honra poder chegar até essa etapa, demonstrando o potencial que a SDW tem frente a tantas outras ideias e startups de impacto não só do Brasil como do mundo. Mas falando do MIT Global Entrepreneurship Bootcamp, eu realmente não imaginava que poderia ser selecionada para um evento tão grandioso como esse. Só para ter ideia eles me disseram, recentemente, que receberam nessa edição 741 inscrições de jovens empreendedores de todo o mundo e só aceitaram 131 estudantes (para ocupar 50-60 vagas) em uma taxa de 17% de aprovação. Isso foi uma notícia extraordinária para mim, me senti valorizada, é como se eles estivessem dizendo para mim que acreditam no potencial da SDW em escala global! Sendo que não sei se algum outro brasileiro foi aceito para a seleção de alunos.

cisterna-ecod.jpg
Modelo do Aqualuz
Imagem: SDW/Divulgação

"Quero poder inspirar pessoas como eu a acreditar que o mundo do empreendedorismo pode até ser difícil, mas é uma boa oportunidade para quem é cheio de ideias que podem mudar o mundo"

Em janeiro você dizia, também em entrevista ao EcoD, que a startup tinha o objetivo de firmar parceria com os governos, a fim de que o produto fosse repassado por um valor acessível a pessoas sem acesso à água potável. Houve algum interesse nesse sentido? O que falta para o dispositivo ser viabilizado?

Ainda não houve nenhum contato com o governo, pois tivemos muitos contratempos nessa trajetória. A equipe toda ficou defasada. De janeiro para cá todos que estavam saíram e entraram alguns novos que já saíram também. Ou seja, além de ainda não possuir recursos para cobrir despesas de desenvolvimento do produto, minha equipe técnica, que me ajudaria a tocar o projeto, não existe mais. Preciso de estudantes de engenharia que trabalhem, inicialmente, de forma voluntária para entrar na equipe (com possibilidade de virarem sócios também), a fim de me ajudarem a finalizar o projeto do protótipo novo, para que assim possamos implantar em locais pilotos e, a partir daí, demonstrar os resultados concretos do Aqualuz para setores do governo que possam nos indicar possíveis caminhos para uma parceria. Porém, caso esse plano não dê certo, tenho outras alternativas, aparentemente mais viáveis, para pôr o Aqualuz nas mãos de quem precisa o mais rápido possível.

Por si só, o fato de desenvolver uma solução no tratamento da água para as pessoas, principalmente de comunidades de baixa renda do sertão nordestino, mereceria uma maior atenção do poder público. Na sua opinião, por que isso não ocorre?

Acredito que não há atenção ainda devido ao estágio de desenvolvimento, porém a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado da Bahia já demonstrou interesse em ajudar. Talvez daqui para 2017 o cenário mude, pois espero já ter todos os laudos técnicos necessários e o relatório do projeto piloto para comprovar a efetividade e o potencial de mudar vidas do Aqualuz, para não só o poder público dar atenção, como também empresas e instituições que possam ajudar a execução de maneira viável.

Quais são as suas expectativas em relação ao evento do MIT?

O evento do MIT, uma das melhores universidades do mundo, para mim será uma caixinha de surpresas boas, tanto em relação ao ganho de experiência enriquecedor como empreendedora, quanto a vivencia e aprendizagem com pessoas, provavelmente mais experientes do que eu, de várias culturas diferentes que também possuem projetos fantásticos. O Bootcamp do MIT, segundo trecho retirado e traduzido da minha carta convite, é dedicado a fornecer aos estudantes uma educação que combina estudo acadêmico rigoroso com a emoção da descoberta, apoio e estímulo intelectual em uma experiência de imersão intensa. Quem participar vai ser empurrado para os seus limites, inspirado, desafiado e apoiado por sua equipe, professores do MIT, e outros estudantes de todo o mundo. Vai ser uma experiência de mudança de vida.

Tendo uma experiência como essa, comprometo-me a criar um mini-curso online e gratuito com todo o conteúdo aprendido, além de contar a minha experiência no curso! Quero poder inspirar pessoas como eu a acreditar que o mundo do empreendedorismo pode até ser difícil, mas é uma boa oportunidade para quem é cheio de ideias que podem mudar o mundo! Se eu posso ir para o MIT, qualquer um que se esforce também pode, basta querer!

Sua participação no evento do MIT depende, exclusivamente, da solidariedade das pessoas em doar na vaquinha virtual que está disponível até o dia 18?

Parcialmente, preciso de mais ajuda diretamente na minha conta corrente do Banco do Brasil, pois meu prazo para levantar o dinheiro é curto e o Vakinha só libera cada doação depois de 14 dias de efetuada. Já recebi também doações significativas de algumas instituições daqui de Salvador, mas não cobrem o valor total de 30 mil - até o dia 14 de julho eu só havia conseguido dois terços desse valor, então ainda preciso de muitas doações para conseguir os 10 mil restantes! Preciso que as pessoas acreditem que esse curso será importante para meu crescimento como empreendedora e que irá resultar em um impacto positivo para a evolução da SDW como empresa, afinal, boas empresas nascem de bons empreendedores.

  • Quer ajudar a realizar o sonho da Anna? Os dados da conta da jovem são os seguintes: Nome: Anna Luísa Beserra Santos
    Agência: 3385 - 5
    Conta: 35.194 - 6

 

Faça sua doação!

Estamos precisando muito da sua ajuda e qualquer valor doado é de grande importância.

Você pode impedir que este trabalho importante de conscientização acabe, fazendo sua doação. Todos os recursos obtidos serão utilizados para a manutenção de nossas atividades. Vale lembrar que todo conteúdo é 100% gratuito e acessível a qualquer cidadão.

Clique aqui e saiba como fazer a sua doação!

Comentários

Deixe sua opinião sobre este assunto.

Dicas
Veja Mais Dicas
Guias
Veja Mais Guias
 
Shopping EcoD
Abrasivo Digital