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23 de Março de 2016

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[ARTIGO] Cuidar da casa comum

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Cuidar da Casa Comum, desse lugar em que fomos alçados desde à saída do ventre materno para cumprirmos nossa trajetória evolutiva, nossa caminhada terrenal, significa estabelecer laços afetivos e harmônicos para com a biodiversidade da qual somos “parceiros” e “partícipes”
Imagem: Flavio T/Flickr/(cc)

Por Marcus Eduardo de Oliveira*

Cuidar da Casa Comum, do Planeta Terra que nos acolhe, exige, em primeiro lugar, que se leve em conta que não existe um baú da natureza com recursos e energia ilimitados, inesgotáveis e infinitos à disposição do atual e pernicioso modelo de civilização, pautado no consumismo e numa produção excessiva de suntuosidades, por isso causador de desequilíbrios ambientais.

Cuidar da Casa Comum, da espaçonave Terra da qual todos somos passageiros, pressupõe, inicialmente, que tenhamos clara noção de que, pelo atual modo de viver da humanidade, estamos esgotando a tolerância da Terra em oferecer seus limitados e finitos recursos para satisfazer nossa ganância material.

Cuidar da Casa Comum, de Gaia, nos dizeres dos gregos, supõe estabelecer uma relação de harmonia entre o homem e o meio ambiente, entre a sociedade e a natureza, tendo em vista que não estamos na Terra, antes disso, somos a Terra, uma vez que pertencemos à natureza, que tudo nos oferece.

Cuidar da Casa Comum, da rica natureza da qual somos parte, obriga-nos, de modo particular, a desenvolver um novo e diferente estilo de vida, de característica menos artificial que o atual, a serviço de um amplo comprometimento com toda a estrutura ecológica (basicamente em torno dos serviços ambientais como controle do clima, ciclagem de nutrientes, purificação da água e do ar, manutenção dos solos férteis, polinização de plantas, dispersão de sementes e outros) que nos auxilia no prosseguimento da vida.

Cuidar da Casa Comum, da nossa morada maior, significa considerar a Terra como algo vivo, que vive, que tem vida, que congrega diversas formas de vida

Cuidar da Casa Comum, desse lugar em que fomos alçados desde à saída do ventre materno para cumprirmos nossa trajetória evolutiva, nossa caminhada terrenal, significa estabelecer laços afetivos e harmônicos para com a biodiversidade da qual somos “parceiros” e “partícipes”, demonstrando uma convivência que, para o bem de todos, tem de necessariamente ser pautada em relações de reciprocidade, uma vez que pelos ensinamentos vindos da física quântica, “tudo tem a ver com tudo em todos os pontos e em todos os momentos; tudo é relação e nada existe fora da relação”.

Cuidar da Casa Comum, do nosso único habitat, significa lançar um novo e diferenciado olhar sobre as relações da economia com a ecologia, procurando afinar os discursos dessas duas ciências em prol da construção de modelos de sustentabilidade (pelo lado da ecologia) conjugado ao alcance do desenvolvimento social e humano (pelo lado da economia); longe, portanto, da sufocante ideia do crescimento (aumento físico da produção industrial) que tem mostrado sua faceta agressiva sobre o patrimônio ecológico.

Cuidar da Casa Comum, do “eco”, cujo significado é “casa”, feito nosso ninho, implica inexoravelmente propor a mudança do atual modelo de produção de resíduos ambientais (as sobras da exploração da natureza) nessa sociedade de descarte (lixo pós-produção industrial), tão comum em economias viciadas na política de crescimento, por um tipo de economia circular que faça do reaproveitamento e da reciclagem paradigmas máximos, preferencialmente embasado num modelo de economia verde, gerando de igual modo empregos verdes, sustentada por uma matriz energética de baixo carbono, onde o consumismo não seja visto como sinônimo de progresso.

Cuidar da Casa Comum, da nossa morada maior, significa considerar a Terra como algo vivo, que vive, que tem vida, que congrega diversas formas de vida, no qual todas as partes (bióticas), as comunidades vivas do planeta (biocenoses), a população humana (antropocenose) se manifestem e se inter-relacionem de variados modos.

Cuidar da Casa Comum, do nosso abrigo materno, por isso também carinhosamente chamada de Mãe-Terra, é praticar aquilo que Leonardo Boff com muita propriedade assevera: “cuidar de cada ecossistema, compreendendo as singularidades de cada um, sua resiliência, sua capacidade de reprodução, mantendo as relações de colaboração e mutualidade com todos os demais já que tudo é relacionado e includente. Compreender o ecossistema para dar-se conta dos desequilíbrios que podem ocorrer por interferências irresponsáveis de nossa cultura, voraz de bens e serviços”.

Cuidar da Casa Comum, de nosso maior patrimônio ecológico, por tudo isso que foi descrito, significa, obrigatória e respeitosamente, aceitarmos o apelo à conversão ecológica, fazendo dos principais pressupostos ambientais nossa causa maior, para assim desenvolvermos relações de cordialidade junto ao meio ambiente e, principalmente, junto à comunidade de vida da Terra.

O objetivo é uno: preservar o meio ambiente para conciliar o verdadeiro progresso (econômico, social e humano), capaz de melhorar substancialmente o mundo por meio da conquista definitiva de bem-estar e de qualidade de vida dos povos.

Nada pode suplantar esse ideal. A vida tem pressa. Precisamos irradiar. Para tanto, necessitamos e devemos, antes, cuidar da Casa Comum.

*Marcus Eduardo de Oliveira é economista e ativista ambiental prof.marcuseduardo@bol.com.br

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