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Economia e Política

09 de Março de 2018

 

"É preciso tratar as florestas de uma forma holística"

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Índio residente da Floresta Nacional do Tapajós, no Pará
Foto: Eskinder Debebe/ONU

A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) quer promover uma maior integração das florestas com atividades agrícolas sustentáveis. Durante um encontro na sede da agência, em Roma, encerrado em 22 de fevereiro, especialistas e representantes de governos e da sociedade civil debateram formas de manter a floresta de pé ao mesmo tempo em que se preocupam em atender as demandas de um mundo com populações crescentes.

Para os participantes, com boa vontade política é possível atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável com florestas ricas, produtivas e diversas. A vice-diretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo, falou à ONU News que é preciso encarar o tema das matas de forma holística, onde todos saem ganhando. “É preciso ter um diálogo em que todos os participantes, todos os agentes também façam parte. O papel das florestas com a ligação com segurança alimentar, com a pecuária e com as necessidades também da população que cresce e se urbaniza. Essa visão de todos os valores e os serviços, e bens e serviços produzidos pelas florestas e que são importantes para a nossa sobrevivência.”

Especialistas ressaltaram a questão da responsabilidade corporativa do agronegócio como uma peça central para combater o desmatamento

Floresta Amazônica
Maria Helena Semedo também falou sobre a contribuição dos países de língua portuguesa para a promoção do combate ao desmatamento. “Temos Angola, Moçambique, Guiné-Bissau que ainda mantém, praticamente as florestas primárias, mas que pelo nível de pobreza que ainda têm, leva a cortar as florestas para cozinhar nossos alimentos. Nós ainda cozinhamos muito à lenha. E depois tem o Brasil com a Floresta Amazônica e que tem sofrido um nível de desmatamento considerável. Sabemos que o nível de desmatamento tem reduzido, tem tido um esforço muito grande através de políticas apropriadas do governo brasileiro, mas ainda continua-se o desmatamento, não obstante à redução da taxa”.

Segundo a FAO, os níveis globais de desmatamento caíram pela metade nas últimas duas décadas. De uma média de 7,3 milhões de hectares em 2000 para 3,3 milhões em 2015.

Jovens
Mas as taxas de degradação e desmatamento continuam em níveis alarmantes. Cerca de 80% da perda florestal são causados pela conversão da floresta em terras para atividades agrícolas.

No documento final, produzido pela conferência, especialistas ressaltaram a questão da responsabilidade corporativa do agronegócio como uma peça central para combater o desmatamento. E recomendaram, ainda, o engajamento da juventude como agentes de mudança reforçando educação e treinamento para conter a destruição das matas.

O tema deve voltar a ser debatido no Fórum da ONU sobre Florestas, marcado para maio.

(Via ONU News)

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