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Biodiversidade

03 de Janeiro de 2018

 

Mapa de agência da ONU mostra quantidade de reservas de carbono nos solos do mundo

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Mulheres da comunidade Batwa em Gashikanwa, Burundi, cultivam o solo para plantar batatas
Foto: FAO

Coincidindo com as celebrações do Dia Mundial do Solo, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) apresentou no início de dezembro (5) um mapa detalhado sobre as reservas de carbono nos solos do mundo.

A matéria orgânica do solo — sendo o carbono seu principal componente — é crucial para sua saúde e fertilidade e para a infiltração e retenção de água, assim como para a produção de alimentos. Como sistema fundamental de armazenamento de carbono, sua conservação e restauração são essenciais tanto para a sustentabilidade da agricultura como para a mitigação da mudança climática.

Os solos do mundo atuam como o maior escoadouro de carbono da terra, reduzindo os gases de efeito estufa na atmosfera. Aumentar seu papel poderia compensar significativamente o rápido aumento do dióxido de carbono na atmosfera. De fato, em uma decisão histórica sobre agricultura, a recente conferência sobre mudanças climáticas em Bonn (COP23), na Alemanha, reconheceu a necessidade de melhorar o carbono, a saúde e a fertilidade do solo.

Mais de 60% dessas 680 bilhões de toneladas de carbono estão em dez países (Rússia, Canadá, EUA, China, Brasil, Indonésia, Austrália, Argentina, Cazaquistão e República Democrática do Congo)

O Mapa Mundial do Carbono Orgânico do Solo, que mostra as reservas de carbono orgânico nos primeiros 30 cm de solo, revela áreas naturais com um elevado armazenamento de carbono que requerem conservação, assim como regiões onde seria possível reter uma maior quantidade.

Mudança climática
Esta informação pode ser uma boa ferramenta para ajudar a tomar decisões sobre práticas que apontem para preservar e aumentar as atuais reservas de carbono do solo, contribuindo para a luta contra a mudança climática.

“Os solos são a base da agricultura, é onde começam os alimentos”, disse a subdiretora-geral da FAO, Maria Helena Semedo. “Manter as importantes funções e serviços do solo para apoiar a produção de alimentos e aumentar a resiliência frente a um clima em mudança requer práticas de gestão sustentável do solo”.

Proteger os solos ricos em carbono e restaurar os degradados
O mapa afirma que, em todo o mundo, os 30 primeiros centímetros do solo contêm cerca de 680 bilhões de toneladas de carbono, quase o dobro do presente na atmosfera. Trata-se de uma quantidade significativa quando comparada ao total de carbono armazenado na vegetação (560 bilhões de toneladas).

Mais de 60% dessas 680 bilhões de toneladas de carbono estão em dez países (Rússia, Canadá, EUA, China, Brasil, Indonésia, Austrália, Argentina, Cazaquistão e República Democrática do Congo). Isso significa que devem ser implementadas medidas para proteger estes solos naturais ricos em carbono e evitar as emissões à atmosfera.

A degradação de um terço dos solos no nível global induziu uma enorme liberação de carbono na atmosfera. Restaurar estes solos pode eliminar até 63 mil toneladas de carbono da atmosfera, contribuindo significativamente para a luta contra a mudança climática.

Aumentar a quantidade de carbono nos solos
Os solos com alto conteúdo de carbono orgânico são mais produtivos, purificam melhor a água e dão às plantas condições ótimas de umidade. A água armazenada no solo sustenta 90% da produção agrícola mundial e representa cerca de 65% da água doce.

Aumentar o carbono orgânico do solo com uma gestão melhorada pode ajudar a manter a produtividade em condições mais secas. Portanto, devem ser tomadas medidas para fomentar o sequestro adicional de carbono quando as condições forem adequadas para isso. Práticas inovadoras devem ser promovidas, como o uso de espécies de enraizamento profundo.

“Manter, mas, especialmente, aumentar os estoques de carbono orgânico deveria ser uma obrigação, já que isso nos permitiria liberar todo o potencial para apoiar as ações de mitigação e adaptação em um clima em mudança”, disse Semedo.

Processo participativo
Este primeiro mapa do carbono orgânico do solo foi desenvolvido através de um processo inclusivo e dirigido pelos países e contou com o apoio do Grupo Técnico Intergovernamental de Solos (GTIS) da FAO.

No total, mais de 100 países-membros compartilham seus mapas nacionais de carbono que a FAO reuniu neste mapa global, uma contribuição concreta ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 15, que trata da vida na terra.

O passo seguinte para os países será avançar no monitoramento dos níveis de carbono orgânico do solo utilizando seus sistemas nacionais de informação para tomar decisões baseadas em evidências sobre como geri-los e como dar prosseguimento ao impacto dessas ações.

(ONU Brasil)

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