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Consumo Consciente

17 de Abril de 2018

 

Merendeira de Minas Gerais ajuda escola pública a reduzir desperdício de alimentos

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Luciana prepara seu arroz com partes de alimentos que são nutritivas, mas normalmente descartadas
Foto: PMA/Isadora Ferreira

Assim como o resto do mundo, o Brasil desperdiça cerca de 30% dos alimentos que produz. Em países ricos, as perdas costumam acontecer em casa – os consumidores compram mais comida do que podem comer. Em países pobres, o problema está relacionado à produção, colheita, processamento, armazenamento e distribuição. Por aqui, alimentos são desperdiçados em ambos os lados da cadeia produtiva.

Agricultores familiares, grandes indústrias, varejistas e instituições governamentais empreendem esforços para diminuir o volume de alimentos subaproveitados ou jogados fora. No entanto, reduzir o desperdício entre quem compra a comida requer uma mudança de mentalidade. Por isso as escolas têm um papel fundamental na formação de gerações mais conscientes de consumidores.

Todos os dias, aproximadamente 42 milhões de estudantes são alimentados nos 160 mil colégios públicos do Brasil. Mas eles não recebem apenas uma refeição. O Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) inclui atividades de educação alimentar e nutricional. O modo como as escolas compram, preparam e servem o alimento é um exemplo para as crianças, e as merendeiras são agentes cruciais na construção de hábitos alimentares saudáveis e sustentáveis.

Luciana trabalha de perto com a nutricionista local. Sua ideia já está se espalhando para outras escolas da região

Luciana Aparecida Pinheiro é merendeira de uma escola primária em São Sebastião do Paraíso, em Minas Gerais. Ela foi uma das cinco ganhadoras da segunda edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar. A competição escolheu os pratos mais saborosos, criativos e nutritivos da merenda escolar de cada região brasileira.

Reutilização dos alimentos
A receita vencedora de Luciana era um arroz com frango e partes de vegetais que normalmente são jogadas no lixo, como as folhas da beterraba e a casca da abóbora. O prato mudou o funcionamento da cozinha da escola. Para cada preparação, as cozinheiras selecionam as partes dos alimentos que seriam descartadas e as utilizam para adicionar mais nutrientes e sabor a outras comidas. A pele das cenouras e das cebolas, por exemplo, incrementam os caldos que são a base para vários pratos.

Luciana trabalha de perto com a nutricionista local. Sua ideia já está se espalhando para outras escolas da região.

O arroz da merendeira foi apresentado aos estudantes e imediatamente incluído no cardápio regular da escola. “Eu queria criar um prato colorido e nutritivo que chamasse a atenção das crianças e mostrasse que utilizar todas as partes dos alimentos que temos não é bom apenas para sua saúde e para o meio ambiente, é também delicioso”, conta a cozinheira.

Pesquisa de aceitação
Como parte das atividades de educação alimentar e nutricional, alguns alunos participaram da elaboração da receita. Quando provaram o prato pela primeira vez, um grupo realizou uma pesquisa de aceitação que mostrou que 91% das crianças haviam gostado do prato e 70% disseram gostar de comer todos os ingredientes usados.

O arroz de Luciana foi utilizado pela escola para mobilizar toda a comunidade acadêmica. A nutricionista do colégio convidou pais e funcionários para discutir formas de aproveitar todas as partes dos alimentos e, assim, reduzir o desperdício e melhorar a nutrição.

De acordo com Luciana, depois dessa experiência, as crianças estão mais dispostas a experimentar novos alimentos, especialmente os vegetais. “Meu desafio diário é preparar refeições boas e saudáveis para as crianças. Quando faço esse prato, vejo as crianças cheias de alegria. É bom para eles, bom para mim e para todo o país”, afirma a merendeira.

No Brasil, o programa de alimentação escolar deve comprar pelo menos 30% dos alimentos de produtores familiares

Sua ideia transformou sua vida. Ela ganhou um prêmio em dinheiro do concurso de receitas e viajou para Brasília pela primeira vez. “Aprendi novas técnicas, experimentei diferentes pratos regionais, conheci gente nova e saí no jornal. Nunca vou esquecer esses momentos mágicos.”

Agricultura familiar
No Brasil, o programa de alimentação escolar deve comprar pelo menos 30% dos alimentos de produtores familiares, conforme estipulado pela Lei 11.947/2009. A comida feita localmente tem prioridade sobre alimentos que precisam viajar longas distâncias para chegar às escolas. As refeições devem seguir cardápios preparados por nutricionistas para fornecer quantidades mínimas de nutrientes e aproveitar os cultivos locais e os hábitos alimentares de cada lugar.

Essas características fizeram com que o modelo brasileiro se tornasse uma inspiração para outros países comprometidos com a busca de soluções sustentáveis para a fome. Com base na experiência brasileira, o Centro de Excelência contra a Fome, do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), está apoiando mais de 30 países na concepção e implementação de programas de alimentação escolar vinculados à agricultura local.

O organismo da ONU é um dos parceiros que organizam o Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, realizado pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) também apoia a iniciativa.

(Via ONU Brasil)

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