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Vida e Saúde

05 de Agosto de 2009

 

EcoD Básico: Permacultura

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A permacultura é um trabalho de observação do espaço a ser ocupado e planejamento para se construir um ambiente harmônico em sua plenitude. Mais do que apenas uma agricultura sustentável, os sistemas permaculturais devem possuir um design arrojado, capazes de construir sociedades economicamente viáveis, socialmente justas, culturalmente sensíveis, dotadas de agroecossistemas que sejam produtivos e que conservem os recursos naturais do local.

Neste processo, a permacultura alia o conhecimento agrícola secular às inovações científicas modernas e pode ser aplicada tanto nas cidades como no campo. Os resultados são ambientes ricos em alimentos, energia, abrigos e outras necessidades materiais e não-materiais.

Os métodos são diversificados e apropriados para vários ecossistemas do mundo. A técnica é capaz de se adaptar às realidades culturais, sociais e ambientais de cada região, tornando-se assim, uma possível solução para famílias carentes das comunidades rurais. Para a Rede Brasileira de Permacultura (RBP), trata-se de “soluções sistêmicas, acessíveis e simples, que tragam segurança à família e um potencial de desenvolvimento humano sustentável”. 

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Fotos: Cicadas

Planejamento

Um planejamento consciente é fundamental dentro da permacultura. Ele será responsável, entre outras coisas, pela utilização da terra sem desperdício ou poluição, pela restauração de paisagens degradadas e pelo consumo mínimo de energia.

O planejamento é desenvolvido através de uma observação cuidadosa dos padrões naturais e das características de cada lugar em particular. Isso permite uma implementação gradual de métodos para integrar instalações humanas com os sistemas naturais, como florestas, plantações, animais silvestres e domésticos, dentre outros.

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Ele ainda aproveita todos os recursos disponíveis e utiliza a maior quantidade possível de funções para cada elemento da paisagem. Assim, as plantações são cultivadas utilizando o máximo da água e do sol, árvores perenes, não-perenes, arbustos e ervas rasteiras são associadas para se nutrirem e protegerem mutuamente, tudo que é produzido por plantas, animais e seres humanos é utilizado em outra parte do sistema, e por aí vai.

Além de utilizar técnicas e princípios de novas tecnologias e conhecimentos de anciãos, indígenas e pessoas tradicionais, a permacultura se baseia na observação direta da natureza do lugar, produzindo alimentos de maneira ética, eficiente e sustentável.

Princípios

A permacultura possui uma série de princípios éticos e de ação, que visam ajudar a projetar, criar, gerir e melhorar os ambientes de forma a torná-los mais equilibrados e sustentáveis. Os princípios éticos englobam os cuidados com a Terra, com as pessoas e a distribuição igualitária dos recursos – tanto de tempo, quanto de dinheiro e energia.

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Foto:
Projeto Secreto

Já os princípios práticos são mais amplos e pregam o uso de funções múltiplas para tudo que está incluído no sistema (e assim, aumentar a eficiência do ambiente), a diversidade de espécies e variedade de culturas, reciclagem de energia e geração de ciclos eficientes dentro de todas as partes do sistema, uso dos padrões naturais, localização relativa de todos os elementos, uso de recursos biológicos para combater pragas ou ajudar a tornar o ambiente mais saudável, uso planejado de declives como forma de aproveitar melhor a água, entre outros.

Histórico

“A permacultura é uma tentativa de se criar um Jardim do Éden”. As palavras são de Bill Mollison, um dos fundadores do conceito. Foi ele, junto com o seu conterrâneo, o australiano David Holmgren, que falou pela primeira vez sobre “um sistema evolutivo integrado de espécies vegetais e animais perenes úteis ao homem”, ainda na década de 70.

A busca por uma "Agricultura Permanente" logo evolui para “um sistema de planejamento para a criação de ambientes humanos sustentáveis”, saltando, assim, para uma busca por uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos, socioeconômicos, ambientais e éticos.

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“A ética da permacultura serve bem para iluminar nossos esforços diários de trabalho com a natureza a partir de observações prolongadas e cuidadosas, com base nos saberes tradicionais e na ciência moderna, substituindo ações impensadas e imaturas por planejamento consciente”, definiu Bill Mollison.

A permacultura chegou ao Brasil em 1992, por meio de um curso ministrado por Mollison no Rio Grande do Sul. A ideia já se difundiu por todo o país e hoje já existem diversas organizações, como RBP e IPEC, as redes Permear e Permanece, além de dezenas de institutos e comunidade espalhadas por todo o Brasil.

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