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Pegada Ecológica: instrumento de análise do metabolismo do socioecossistema urbano

Autor:Ana Maria Feitosa Leite e Manuel-Osório de Lima Viana

  

INTRODUÇÃO

A sociedade humana, depois de passar por sucessivos estádios de evolução, vive, hoje, na sua maioria, em cidades. A cidade, sócio-ecossistema urbano, dá ao citadino a impressão de libertação da natureza, de forma que suas necessidades materiais e imateriais seriam atendidas a partir de um espaço restrito e por elementos que nada deveriam ao ecossistema natural. Funcionalmente, porém, representa um sistema aberto, ou seja, é altamente dependente de outros ecossistemas, com os quais interage através do fluxo de energia e circulação de matéria.

O sócio-ecossistema urbano, para processar seu metabolismo, necessita de um input de bens e serviços oriundos de outros diferentes e longínquos ecossistemas e produz um output de resíduos, resultantes das atividades humanas. Indicadores têm como principal objetivo tornar compreensível um conjunto de fenômenos que não são facilmente percebidos. Para medir a sustentabilidade de sócio-ecossistemas urbanos, empregou-se o método de análise da “pegada ecológica”, desenvolvido por Wackernagel e Rees, em 1996. A idéia básica apresentada pelos autores é que todo indivíduo ou região, ao desenvolver seus diferenciados processos, produz um impacto sobre a Terra, através dos recursos consumidos e dos desperdícios causados. A “pegada ecológica” calcula, em hectares, a quantidade de terra e água produtivas utilizada para a obtenção dos recursos que uma pessoa, cidade ou país utilizam, assim como para a absorção dos resíduos gerados.

Na visão de Martinez-Alier (1996 ), as necessidade humanas são satisfeitas pelo consumo endossomático de energia, a alimentação que depende da biologia humana, e pelo uso exossomático, os gastos energéticos e de materiais, com moradia, transporte, produção, que estão estreitamente relacionados com a cultura e o modelo de desenvolvimento.

O presente trabalho teve por objetivo calcular, para a Região Metropolitana de Fortaleza, Ceará, o indicador biofísico de sustentabilidade denominado “pegada ecológica”. (Feitosa-Leite, 2001).