Postado em Biodiversidade em 04/06/2011 às 17h30
por Redação EcoD

Bioma Marítimo


Praia do Espelho vista de cima de uma falésia, em Trancoso, Bahia / Foto: bluevelvetbr

Tamanho: 4,5 milhões de Km²
Estados que engloba: AP, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA, ES, RJ, SP, PR, SC, RS
População: 70 milhões de habitantes
Clima: Norte equatorial até o Sul temperado
Solo, Flora e Fauna em destaque:
O bioma marítimo está presente em toda costa brasileira, desde o Norte equatorial até o Sul temperado do país. Dessa forma, as características do bioma costeiro variam muito de um lugar para outro, não sendo possível estabelecer padrões de clima, solo, flora ou fauna em todas as regiões que engloba.

Os espaços litorâneos possuem riquezas significativas de recursos naturais e ambientais. É na zona costeira que se localizam as maiores presenças residuais de Mata Atlântica, com biodiversidade superior no que diz respeito à variedade de espécies vegetais, por exemplo. Também os manguezais, de expressiva ocorrência na zona costeira, cumprem funções essenciais na reprodução biótica da vida marinha.

Mesmo com tamanha importância, a intensidade de um processo de ocupação desordenado coloca em risco todos os ecossistemas presentes na costa litorânea do Brasil. Mas medidas de proteção já vêm sendo tomadas por setores do governo e da sociedade civil.

Atualmente, o ICMBio gerencia 59 Unidades de Conservação federais nas zonas marinhas que constituem o bioma brasileiro. Juntas, totalizam 3.676.840 hectares de área preservada. A meta do governo federal é criar, somente na zona costeira e marinha, entre 20% e 30% de novas Unidades de Conservação.

O bioma marinho brasileiro se estende por uma área que representa mais de 50% do território nacional, distribuída ao longo de 8,5 mil quilômetros de litoral. Na região Norte destacam-se as matas de várzea e os mangues no litoral Amazônico. No Nordeste, há a presença de restingas, falésias e mangues. No Sudeste destacam-se a vegetação de mata atlântica e também os mangues, embora em pouca quantidade. Já no sul do país, os costões rochosos e manguezais formam o cenário.

Por não ser possível falar de características comuns de fauna, vegetação, solo, relevo e clima do bioma marítimo, separamos alguns ecossistemas que o compõem.

Manguezais

O manguezal é considerado um ecossistema costeiro de transição entre os ambientes terrestre e marinho. Característico de regiões tropicais e subtropicais, ele está sujeito ao regime das marés, dominado por espécies vegetais típicas, às quais se associam a outros componentes vegetais e animais.

São comuns em estuários (lugares onde rios encontram o mar), enseadas e em lagunas de água salgada, e estão presentes em cerca de 30% da costa brasileira. O solo dos manguezais é lodoso, negro e profundo, constantemente inundado. Nele está uma rica camada de matéria orgânica, que é decomposta por micro-organismos e, assim, volta ao meio na forma de nutrientes.

A vegetação é densa e intrincada, com árvores de raízes aéreas, que se desenvolvem a partir do caule. Essas árvores são consideradas “respiratórias”, pois possuem pequenos furos (pneumatódios) que permitem a aeração. Como é um ambiente inundado, o manguezal é moradia de muitos peixes, moluscos, crustáceos e funciona como berçário de milhares de espécies que nascem e permanecem nos mangues até a fase adulta.

Costões rochosos

Costões rochosos são ambientes costeiros que, como o próprio nome diz, estão localizados em rochas a beira mar. Eles existem por quase todo o litoral brasileiro, do Maranhão ao Rio Grande do Sul, mas são mais comuns em regiões onde há serras. Fazem parte destes ecossistemas falésias e matacões, que são fragmentos de rocha em formado esférico. A fauna dos costões PE composta por esponjas do mar, anêmonas, caranguejos, camarões e ouriços. Há ainda inúmeras algas, como as azuis, verdes, vermelhas e pardas.

Dunas

As dunas são elevações formadas pelo acúmulo de areia transportada pelo vento. Elas aparecem em áreas com grandes faixas de areia seca. Poucos animais estão adaptados à vida neste ambiente, entre eles insetos e o tuco-tuco, roedor que escava a areia. Quanto à vegetação, são comuns gramíneas e plantas rasteiras que têm um papel importante na fixação das dunas, já que suas raízes muitas vezes impedem que a areia seja levada pelo vento.

Restinga

São conjuntos de dunas e areais. Portanto, a vegetação é semelhante a das dunas: baixa e rasteira; porém, como é um ecossistema maior, a restinga guarda mais espécies. Entre a vegetação são comuns araçás-da-praia, bromélias e orquídeas. A fauna das restingas é formada principalmente por caranguejos, viúvas-negras, baratas, sabiás, corujas e pererecas. O espaço também é habitat de aves migratórias e alguns mamíferos, como o lobo, além da tartaruga marinha, principalmente para reprodução e desova.


Corais de Fernando de Noronha/Foto: Ecofotos – Adilson Moralez

Corais

Os recifes de coral são considerados um dos mais antigos e biodiversos ecossistemas da Terra, tendo grande importância ecológica, social e econômica em todo o planeta. Uma em cada quatro espécies marinhas vive em recifes de coral, incluindo 65% das espécies de peixes.

No Brasil, os recifes de coral se distribuem por cerca de 3 mil quilômetros e são considerados os únicos ecossistemas recifais do Atlântico Sul. Das mais de 350 espécies de corais existentes no mundo, pelo menos 20 delas estão no Brasil, sendo que, destas, oito encontram-se apenas nos mares brasileiros – a maior proporção de endemismo de corais do planeta.

Devido ao seu uso desordenado, ao longo dos anos, diversos recifes brasileiros, principalmente os costeiros, encontram-se em acelerado processo de degradação. Evidências indicam que o uso inadequado desses ecossistemas pela pesca, atividades turísticas, mau uso da terra na orla marítima e nas margens dos podem estar comprometendo o futuro desses ambientes.

O litoral brasileiro também é dividido, segundo o Ibama, entre:

Litoral amazônico: da foz do rio Oiapoque ao delta do rio Parnaíba. Apresenta grande extensão de manguezais exuberantes, assim como matas de várzeas de marés, campos de dunas e praias. Apresenta uma rica biodiversidade em espécies de crustáceos, peixes e aves.

Litoral nordestino: começa na foz do rio Parnaíba e vai até o Recôncavo Baiano. É marcado por recifes calcíferos e areníticos, além de dunas que, quando perdem a cobertura vegetal que as fixam, movem-se com a ação do vento. Há ainda nessa área manguezais, restingas e matas. Nas águas do litoral nordestino vivem o peixe-boi marinho e as tartarugas, ambos ameaçados de extinção.

Litoral sudeste: segue do Recôncavo Baiano até São Paulo. É a área mais densamente povoada e industrializada do país. Suas áreas características são as falésias, os recifes e as praias de areias monazíticas (mineral de cor marrom-escura). É dominada pela Serra do Mar e tem a costa muito recortada, com várias baías e pequenas enseadas. O ecossistema mais importante dessa área é a mata de restinga. Essa parte do litoral é habitada pela preguiça-de-coleira e pelo mico-leão-dourado (espécies ameaçadas de extinção).

Litoral sul: começa no Paraná e termina no Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul. Com muitos banhados e manguezais, o ecossistema da região é riquíssimo em aves, mas há também outras espécies: ratão-do-banhado, lontras (também ameaçados de extinção), capivaras.


Leia mais sobre os outros biomas brasileiros