O estudo chamando Dossiê no Universo Jovem, publicado em 2008 pela MTV, mostrou uma juventude pouco ativa em relação às causas ambientais. Nessa 4ª edição do dossiê, o tema foi SUSTENTABILIDADE. Segundo o estudo, cerca de 6 entre 10 jovens brasileiros não sabe o que significa a palavra SUSTENTABILIDADE, embora a maioria deles diz fazer mais pelo meio ambiente do que o governo ou a população em geral.
Os resultados apontaram para cinco fatias que dividiram a juventude brasileira:
Os Eco-alienados são aqueles que pouco sabem sobre o tema, não se interessam em entender conceitos, são resistentes a reciclagem, não se preocupam com o futuro dos filhos e contribuem muito pouco para defesa do planeta.
Já os Teóricos são os jovens que mais possuem conhecimento, mas esquecem de tomar atitudes consistentes, são os que mais valorizam as causas ambientais e preocupam-se em não jogar lixo nas ruas e economizar água e energia. Mas não estão dispostos a sacrifícios pessoais, como reduzir o uso do carro, por exemplo.
Os Comprometidos conseguem agregar a prática à teoria. Conhecem as causas ambientais, debatem sobre o assunto em diversos âmbitos sociais e praticam seus conhecimentos no cotidiano.
Já o grupo dos Intuitivos não demonstra domínio do assunto ou consciência ecológica, mas a prática quando acontece é mais intuitiva. Eles acham que a mídia ao falar sobre o assunto o faz de forma complicada mesmo assim, se interessam em saber mais sobre o assunto.
O estudo apontou que, em relação à sustentabilidade, 27% dos jovens brasileiros se preocupam com o desmatamento, contabilizou que apenas 3% dos entrevistados afirmaram contribuir para evitar a poluição do ar e outros 10% disseram economizar energia elétrica. Bom, sugiro que você, caro leitor, clique aqui e leia a matéria completa.
Agora vejam que interessante, os jovens atribuem boa parte de sua inércia à falta de informação sobre o tema. Para a maioria (53%), a mídia deveria apresentar mais informações sobre o ambiente. Creio que a cobertura da mídia evoluiu bastante e hoje cobre, educa e tem contribuído muito no sentido de trazer mais informações com relação à questão da sustentabilidade, embora possa avançar mais, muito mais.
Justamente com o propósito de contribuir com a disseminação de conteúdos relevantes para mobilização da sociedade é que surgiu o portal EcoD, como já é chamado. Mas na verdade, não sei se você percebeu, eu não comentei sobre o quinto grupo de jovens identificados pelo dossiê, o dos Refratários, deixei para o final propositadamente.
Esses jovens, apesar de afirmarem que escutam desde pequenos que são responsáveis pelo planeta e que devem fazer alguma coisa para salvá-lo, não valorizam o assunto e assumem não fazer nada pelo meio ambiente por acreditar que esse é um problema que as “gerações futuras devem resolver".
Estava em casa quando li a reportagem, olhei para a minha filha Sophia de três anos e pensei: “se boa parte dos jovens é Eco-alienado e os Refratários ainda acham que o problema é das gerações futuras, como será esse futuro se os jovens pensam dessa forma?”
Quanto dos programas de sustentabilidade nas organizações tem dedicado especial atenção para o envolvimento dos jovens? Como podemos pensar em Sustentabilidade sem pensar nos jovens? Como os programas de educação podem contribuir gradativamente para mudar essa realidade? Como as redes sociais e tecnologias de comunicação e colaboração podem interferir?
É preciso dar uma atenção especial a essa questão apontada no estudo, pois dessa forma, todos os esforços que estão sendo feitos hoje em busca da sustentabilidade sócio-ambiental podem se perder, caso os nossos jovens não forem preparados desde já para assumirem as suas responsabilidades no futuro. Num futuro que será deles um dia e também de Sophia.