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Deusas: Bast e Sekhmet


Imagem: Inanna Nakano

Bast foi uma das divindades mais cultuadas do Antigo Egito. A deusa, representada por uma gata ou por uma mulher com cabeça de felino, muitas vezes é confundida com sua irmã, Sekhmet, que tem cabeça de leoa. Ambas são divindades solares, mas bastante diferentes: enquanto Bast incorpora a luz do alvorecer, Sekhmet, está ligada ao lado mais intenso do sol e ao poder transformador da destruição. Segundo o mito, Sekhmet recebeu de Rá, Deus-Sol, o pedido de dar fim ao comportamento repreensível dos humanos, marcado pela ambição sem limites.

Assim, a deusa iniciou uma jornada de vingança tão intensa que teve de ser controlada pelo próprio Rá, que a embebedou com uma mistura vermelha, que lembrava sangue, e a deixou livre do seu impulso de raiva quando a embriaguez passou. Por isso, Sekhmet é a deusa da ira, mas também da paz, da energia de lidar com os extremos.

Bast, por outro lado, rege a alegria, a dança, a música e a fertilidade. Sua imagem estava espalhada nos templos dos faraós e suas sacerdotisas tocavam sistro, instrumento musical símbolo da fertilidade e do amor. Segundo O Livro das Deusas (Ed. Publifolha) toda família egípcia criava gatos em honra à deusa. Os animais eram considerados sagrados por sua natureza misteriosa e dócil, além de possuirem a habilidade de caçar ratos, bichos que propagavam inúmeras pragas no Egito. Os gatos das famílias ricas, quando mortos, eram embalsamados e levados ao templo de Bast em Bubástis, cidade onde era mais cultuada. Em suas festividades, havia muita música, dança, brincadeiras, comida farta e muita cerveja.

Outra associação interessante é entre Bast e Ísis, a Grande Mãe dos egípcios. De acordo com o livro Os Mistérios de Ísis (Ed. Madras), uma teoria aponta que a distribuição dos gatos domésticos pela Europa e Orientre Médio acompanharam a expansão dos templos de Ísis. A ferocidade e a calma dos felinos seria uma boa metáfora para a natureza da deusa.

Para conectar-se com Bast, o Livros das Deusas traz um ritual bastante simples. A ideia é fazer algo que nos dê muito prazer todos os dias e, antes de dormir, lembre-se dos bons momentos e aradeça a Bast por eles. Caso você queira entrar em contato com Sekhmet, a publicação sugere um exercício para liberar a raiva e lidar com ela de forma consciente: quando estiver com raiva, fique só e invoque a deusa. Traga sua força para o centro do corpo e imagine um leão dentro de você. Extravaze como achar melhor (soque almofadas, grite…) até que o sentimento desapareça. Ao se sentir melhor, deixe a tranquilidade te invadir e entregue-se ao silêncio.