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Educação

19 de Agosto de 2010

 

Biblioteca do DF é referência internacional na inclusão de deficientes visuais


A biblioteca atende cerca de 80 deficientes visuais por mês/Foto: Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal

Deficientes visuais do Distrito Federal já sabem onde podem fazer cursos de informática, inglês, fotografia, dança, reciclagem e leitura de braile. A Biblioteca Dorina Nowill, em Taguatinga, atende todo mês, em média, 80 deficientes visuais que buscam o resgate da autoestima, e jovens que frequentam o ensino regular e fazem aulas de reforço. O espaço virou referência na inclusão dessas pessoas, que se antes passavam a maior parte do tempo em casa, hoje têm um novo ânimo para viver.

“Isso preenche meus dias e me sinto feliz com a companhia das pessoas que têm a mesma deficiência que eu, dos professores e dos voluntários”, conta Francisco de Paula, 62 anos, que hoje desenvolve várias atividades durante a semana. “Essa ocupação me fez ressurgir e descobrir uma nova vida”, conclui.

Os voluntários leem textos e exercícios das apostilas escolares, impressas em tinta, e tiram dúvidas do conteúdo. “É bom saber que posso ajudar e me sentir útil”, afirma a voluntária Valéria Freitas, 24 anos, estudante, que dá aulas de reforço de inglês e biologia.

A biblioteca também promove a ressocialização de seus frequentadores. “Idosos que ficaram cegos e deprimidos em casa se sentem inseridos novamente na sociedade. Juntos, eles se sentem iguais”, afirma a professora e funcionária da instituição Maria Ildérica. “Há uma preparação para o mundo lá fora. Muitos se sentem estimulados a voltar a estudar ou trabalhar. Ninguém segura o deficiente quando ele sente esse gostinho de voltar à vida”, completa a fundadora da biblioteca, Dinorá Couto Cançado. 

Outra atividade é a alfabetização em braille. A biblioteca empresta aproximadamente 2 mil obras literárias e didáticas em braille. Há também livros impressos em tinta, que podem ser gravados em áudio por voluntários ou apresentados em rodas de leitura.

Amanhã (20), às 20h, a fundadora da biblioteca estará no estande do Plano Nacional do Livro e Leitura, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo, para debater o projeto Luz e Autor em Braille. O projeto consistia em permitir uma conversa entre autores e leitores para, a partir daí, os deficientes visuais escreverem um texto inspirado no escritor. O texto podia ser uma crônica, poesia ou até música. As produções foram reunidas na coletânea Revelando Autores em Braille, publicada em 2001.

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