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Debates realizados durante o FSM esquentaram o movimento por cidades sustentáveis/Foto: Murilo Cardoso
Uma nova organização urbana é possível, apontou o escritor e religioso Frei Betto, durante o encontro da Rede Social Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, no Fórum Social Mundial (FSM). Transformar o centro urbano, ampliar a sua compreensão e capacitar a sociedade para as transformações das relações políticas, sociais, culturais e ecológicas, necessárias para a construção de uma cidade sustentável, foram algumas das ações apontadas durante a conferência.
Como cenário essencial para a fomentação do debate social, o FSM foi considerado um espaço muito interessante para o diálogo sobre as importâncias das cidades e de ações sustentáveis na sua reformulação. “O FSM é um posto de combustível onde os movimentos reabastecem o seu tanque para voltarem às suas respectivas estradas, visando a constituição de um mundo melhor, mais justo e sustentável”, disse Frei Betto.
Cientista social brasileiro radicado na França, Michael Lowie afirmou que “o principal objetivo destas ações é comprometer a sociedade e sucessivos governos com comportamentos éticos, verdadeiros, justos e que contribuam para o verdadeiro desenvolvimento sustentável. Cada organização promove atividades, articula ações e monitoramentos para alcançarem a eficácia e transparência das políticas públicas”.
Sustentabilidade
Com a emergência da crise econômica e da crise ambiental, a discussão sobre novos comportamentos e sobre a tomada de consciência por parte da sociedade são os temas que mais encontram eco quando se aponta para a sustentabilidade. Segundo Frei Betto, são necessárias quatro pontuações para que se possam firmar as metas de construção para uma cidade sustentável:
• visão crítica sobre o neoliberalismo,
• organização da esperança,
• resgate da utopia
• elaboração de projetos alternativos.
“Precisamos apontar para os bens finitos, deixar de lado a sociedade do consumo e o neoliberalismo que destrói a nossa casa, a nossa família e a nossa cidade”, disse o religioso.
Para que uma cidade se torne sustentável ecologicamente é fundamental que as organizações sociais se comprometam a compartilhar informações de todas as suas atividades, constituindo uma rede de atividades e aprendizado mútuo. “A consciência é o que nos leva à ação. É neste sentido que necessitamos trabalhar juntos para que seja possível repensar as nossas cidades”, afirmou Lowi.
Experiências
No desenvolvimento de cidades onde os serviços básicos de habitação, infra-estrutura e meio ambiente convivam harmoniosamente e estejam à disposição de todos, a contribuição da área da tecnológica é fundamental. “A sustentabilidade está na pauta mundial. Precisamos desenvolver espaços onde a vida e as pessoas assumam um compromisso no sentido de tornar a cidade um espaço digno para a vida”, afirmou Netuno Leão, pesquisador do Imazon.
O Projeto Nossa São Paulo, desenvolvido desde 2007, que conta com a participação de instituições públicas e privadas, é um exemplo da aplicação de uma democracia que andava abalada perante a população. Em seu último indicador de metas básicas para a cidade de São Paulo, identificou em quais regiões da cidade é necessária uma maior ação do poder público. “Os dados apresentados podem ajudar na aplicação de ações que apontem para a equalização dos índices em toda a cidade. A média que é conhecida em outros estudos não aponta a realidade da sociedade, apenas a média de seu consumo”, disse Maurício Broinizi, coordenador executivo do programa.
A Rede Brasileira por Cidades Justas e Sustentáveis, coordenada por Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, é constituída por organizações sociais locais que têm como missão comprometer a sociedade e sucessivos governos com comportamentos éticos e com o desenvolvimento justo e sustentável de suas cidades, tendo como valor essencial a democracia participativa. As organizações sociais são totalmente apartidárias e inter-religiosas.
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