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O verão está cada vez mais quente e quem possui cabelos longos acaba sofrendo ainda mais ...Ava Anderson, a menina de 16 anos que criou uma linha de cosméticos não-tóxicos
A empresa é referência em cosméticos naturais
Era 1995 quando Clélia Angelon teve a ideia de investir em uma marca de cosméticos orgânicos. Na época, ela sofria com diversos problemas pessoais, com a falta de dinheiro e segurava o peso de ter um trabalho pouco rentável tendo dois filhos para criar. Neste contexto nasceu a empresa Surya, hoje referência em cosméticos naturais.
“Com todos os problemas, fui ao fundo do poço”, relata Clélia em entrevista a revista Bons Fluidos. “Acredito que na depressão é preciso sentir e observar os sentimentos. Depois de olhar para dentro de mim, voltei com força total”, conta.
Para dar a volta por cima, Clélia vendeu um terreno, com o dinheiro comprou uma passagem para a Índia, levando o amigo Kanwal Jit Singh como guia de viagens. A intenção era se reerguer apostando na venda de saias indianas no Brasil, antes mesmo da chegada do período festivo de fim de ano.
Como a concorrência e o medo de ter prejuízos eram grandes, a dupla apostou em 10 mil peças para trazer para o Brasil. Voltaram de avião com a mercadoria no bagageiro, enquanto seus concorrentes tinham viajado muito antes e despachado o produto por navio. Acontece que a mercadoria não chegou a tempo nos portos, o que permitiu que Clélia vendesse, em apenas três dias, todas as saias.
“Foi a coisa certa na hora certa. Por isso, eu acredito no Universo e no pensamento positivo. Você pede e ele dá. Naquele ano, o Universo conspirou a meu favor”, acredita ela.
Depois desse golpe de sorte e com dinheiro na mão, Clélia refletiu sobre seu futuro. Era hora de apostar em seu grande sonho: investir em uma marca de cosméticos orgânicos. A Surya, que em português significa Sol, era o resumo de tudo o que Clélia queria fazer para o resto da vida.
Ela conta que, mesmo sem um diploma universitário na parede, aprendeu todas as artimanhas do mundo dos negócios com seu primeiro marido indiano, Raj Kumar Malhotra, comerciante experiente.
Hoje a Surya transformou-se num exemplo de empresa verde dentro do país. Seu faturamento anual gira em torno de 15 milhões por ano e seus produtos – xampus, condicionadores, máscaras faciais, sabonetes e henas, entre outros – são exportados para mais de 23 países. Tem, inclusive, o selo de empresas certificadoras respeitadíssimas, como a Ecocert e a Cosmébio.
A empresa
Os nomes dos produtos possuem uma referência quase que cosmopolita. Henas vindas da Índia misturadas com essências da Amazônia são a característica da Surya. Clélia acredita que existe uma proximidade entre as duas regiões. “O Brasil e a Índia são dois países opostos que ao mesmo tempo tem muito em comum: calor humano, essa coisa de gostar de viver em grupos sociais”, diz em entrevista ao site CosméticosBR.
A preocupação com as questões naturais é tão grande quanto o cuidado com a saúde dos consumidores da marca. Clélia estendeu esse cuidado aos ribeirinhos na região da Amazônia, que recebem cursos de turismo e de como cuidarem da natureza, de modo que possam canalizar essa experiência para empresas científicas, laboratórios, empresas de cosméticos, por exemplo.
A ideia que antes era apenas uma saída para se levantar dos problemas, acabou virando até um salão de beleza natural. Localizado na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, o espaço Surya só trabalha com produtos orgânicos e encara a beleza como uma questão de saúde e de proteção ao meio ambiente. Até mesmo os cosméticos usados têm embalagens recicláveis e não foram testados em animais.
Até hoje, Clélia já viajou mais de 40 vezes para a Índia, e a cada vez se surpreende mais. “A Índia foi minha escola de vida: sentimental, de negócios e pessoal”, conta. “Lá eu encontrei a solução para minhas aflições através dos gurus, da meditação e da ioga”, diz.
Essas mudanças afetaram a vida dela e a transformou em uma nova pessoa. Clélia adotou a prática da meditação e a não titubear nos momentos mais críticos. “Aos poucos, os sentimentos foram sendo elaborados e fui me tornando uma pessoa menos ansiosa, egocêntrica e impulsiva”, conta. “Ainda hoje, continuo me orientando pelos valores e crenças que sempre guiaram a minha vida”.
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