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Tartaruga de couro retorna ao mar após desovar. Número de espécies diminuíram em mais de 75% entre 1982 e 1996/Foto: Projeto Tamar
Uma pesquisa mundial publicada na revista científica Conservation Letters informou que milhões de tartarugas marinhas foram mortas nas últimas duas décadas depois de ficarem presas em equipamentos de pesca.
De acordo com o estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, foram registradas 85 mil capturas acidentais de tartarugas entre 1990 e 2008. Considerada como a primeira análise global de dados disponíveis sobre o assunto, a sondagem analisou dados de capturas ocorridas em diversas regiões globais por conta de três equipamentos de pesca: as linhas longas, os arrastões e as redes.
O estudo revelou altos índices de mortes de tartarugas marinhas no Mar Mediterrâneo e ao Leste do Oceano Pacífico. Acredita-se que o número de espécies da tartaruga de couro, capazes de crescer mais de 2 metros, tenha diminuído em mais de 75% entre 1982 e 1996.
Segundo o pesquisador Bryan Wallace, que liderou o estudo, a situação das tartarugas no mundo é um bom indicador sobre as condições gerais da saúde dos oceanos. De acordo com ele, apesar do alto número de capturas levantado pelo estudo, a quantia representa uma pequena fração do número total.
"Porque os documentos que observamos cobrem menos de 1% de todas as frotas, com pouca ou nenhuma informação sobre pequenas empresas, nossa estimativa conservadora é de que o número real de tartarugas capturadas acidentalmente em redes de pesca esteja não em dezenas de milhares, mas sim em milhões", explicou Wallace à BBC News.
Soluções
Um dos problemas indicados pelo estudo diz respeito ao fato de que as tartarugas marinhas se enroscam em redes e/ou anzois na tentativa de subir à superfície para respirar, o que faz com que elas se afoguem.
De acordo com os pesquisadores, seria importante uma mudança nos equipamentos de pesca. Em vez dos anzois tradicionais (em forma de gancho), por exemplo, eles sugerem o uso mais amplo dos materiais conhecidos como dispositivos de exclusão de tartarugas (DET), que previnem a entrada dos animais nas redes de pesca e permitem que escapem, caso sejam capturados.
A perda de habitats naturais somada a poluição dos mares por meio de materiais como sacos plásticos são outros obstáculos enfrentados por estes belos, porém, cada vez mais ameaçados, gigantes dos mares.
Tamar
Criado em 1980 pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), que mais tarde originou o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Energias Renováveis (Ibama), o projeto Tamar/ICMBio é a principal instituição brasileira voltada para a conservação das tartarugas marinhas.
Presente em nove estados brasileiros: Bahia, Sergipe, Pernambuco (Fernando de Noronha), Rio Grande do Norte (Atol das Rocas), Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, o projeto Tamar/ICMBio protege cerca de 1.100 quilômetros de praias, por meio de 23 bases de pesquisa mantidas em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso desses animais, no litoral e nas ilhas oceânicas.
Atualmente, o reconhecimento ao trabalho do projeto Tamar/ICMBio extrapola o nível nacional, uma vez que a instituição já recebeu prêmios internacionais, como o da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), em 2003; o Heroes of the Planet (1998); e o Science for Conservation (1994).
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