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Empresa Sustentável

24 de Agosto de 2010

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IFC revisa critérios sustentáveis para conceder empréstimos a empresas

 
Painel de energia solar. Empresas terão que propor soluções de baixo carbono/Foto: spanginator

As empresas privadas de países emergentes, como o Brasil, terão de atender a novas exigências socioambientais em 2011 para obterem empréstimos do IFC, o principal braço de investimentos do Banco Mundial, segundo apurou nesta terça-feira, 24 de agosto, o jornal Valor Econômico.

Os novos critérios serão apresentados no primeiro semestre do ano que vem e deverão incluir fatores atualmente desconsiderados na análise para concessão de crédito, como emissões de gases causadores de efeito estufa e o impacto das atividades da empresa na cadeia produtiva.

Consultores de todos os continentes participam da revisão global dos padrões de performance sustentável, juntamente com agências da Organização das Nações Unidas (ONU), instituições financeiras e ONGs.

Uma das sugestões feitas inclui que os clientes deverão apresentar opções para a adoção de tecnologias de baixo carbono nos negócios, em vez de compensarem as emissões de gases-estufa, assim como é feito hoje. A revisão contempla ainda aspectos como contaminação de solo e água e os desdobramentos legais dessas ações.

Brechas

A revisão de 2011 será a primeira do IFC desde 2006, quando o órgão criou padrões de performance ambiental e social para conceder empréstimos. Recentemente, um balanço sobre os três primeiros anos da instituição já havia detectado brechas. Também foram apontadas ambiguidade de linguagem e pouca clareza nas informações prestadas aos clientes sobre os padrões de performance socioambiental.

Em 2009, o IFC foi alvo de críticas de organizações ambientais por problema com o setor de óleo de palma (dendê) na Ásia, acusado de promover o desmatamento. No Brasil, o então frigorífico Bertin teve de devolver um empréstimo de US$ 90 milhões depois de uma ação do Greenpeace e Ministério Público Federal, que denunciaram a empresa por contribuir com a devastação da Amazônia - o contrato junto ao IFC foi rompido.

Para o gerente-geral do IFC no Brasil, Andrew Gunther, o episódio foi positivo porque criou grupos de trabalho para discutir a sustentabilidade na Amazônia e levou a instituição de fomento a aprender mais sobre o setor. "Se quisermos fazer a diferença, teremos às vezes que trabalhar em projetos controversos", acrescentou ao Valor.

Na opinião do diretor de assuntos corporativos do IFC, Aaron Rosenberg, a introdução de novos padrões não deve tornar a análise dos empréstimos demorada. "Os novos padrões terão de ser incorporados ao longo do tempo e teremos de aumentar a assistência técnica a empresas e governos para que [as exigências] sejam atendidas."

O IFC aprovou US$ 18 bilhões no ano fiscal de 2010, sendo US$ 1,5 bilhão ao Brasil. A maior parte dos recursos (US$ 787 milhões) foi direcionada para o financiamento à exportação.

Com informações do Valor Econômico.

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