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Biodiversidade

31 de Agosto de 2010

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Mesmo com as queimadas, desmatamento na Amazônia cai 48%

 
Deter registrou menor desmatamento na Amazônia desde que entrou em operação, em 2004/Foto: leoffreitas

Apesar da alta incidência de focos de incêndio no Brasil, o desmatamento na Amazônia diminuiu 48% entre agosto de 2009 e julho de 2010, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira, 31 de agosto, pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Os dados são do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

De acordo com o balanço foram desmatados 2.293,61 quilômetros quadrados (km2) na Amazônia, enquanto no período anterior, entre agosto de 2008 e julho de 2009, o total devastado foi de 4.372,79 km2. A expectativa da ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, é de que o desmate diminua ainda mais até o fim de 2010.

“Nós estamos otimistas, porque o Deter nos sinaliza essa redução em relação ao ano passado, que já havia sido o menor ano [em desmatamento], com dado bastante específico, de quase 50% de redução, o que sugere que nós poderemos ter um número [de redução] também expressivo no fim do ano”, projetou a ministra.

 
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, divulga balanço das queimadas florestais no Brasil e comenta a taxa de desmatamento na Amazônia, ao lado do presidente do Ibama, Abelardo Bayma/Foto: Wilson Dias/ABr

Izabella Teixeira afirmou que o levantamento atual apresenta maior solidez do que o do ano passado, pois foi feito em um período com menor incidência de nuvens, o que permite um registro melhor das imagens da Terra pelo satélite. Segundo a ministra, o MMA está tentando identificar as causas do que está ocorrendo no estado do Amazonas, onde houve um crescimento de 8% no desmatamento em relação a 2009. Os municípios de Lábrea e Apuí são os principais responsáveis pelo aumento da área desmatada.

Deter

O Deter é um levantamento feito mensalmente pelo Inpe, desde maio de 2004, sobre desmatamento na Amazônia, por meio de dados dos satélites Terra/Aqua e Cbers. O programa foi desenvolvido como um sistema de alerta para dar suporte ao controle do desmate e à fiscalização. O sistema mapeia tanto áreas de corte raso, como áreas em processo de desmatamento por degradação florestal.

Listamos para você os resultados registrados pelo Deter desde o início da operação do sistema:

  • 2004/2005: 12.310 km2 de área desmatada;
  • 2005/2006: 10.937 km2;
  • 2006/2007: 4.972 km2;
  • 2007/2008: 8.139 km2;
  • 2008/2009: 4.373 km2;
  • 2009/2010: 2.294 km2.

Queimadas

O MMA também divulgou nesta terça-feira que foram detectados 259.942 focos de calor em todo o país no mês de agosto. Embora este número não signifique ocorrência de incêndios em todos os casos, foi constatado que 85 unidades de conservação foram atingidas (em seu interior ou no seu entorno). Segundo a ministra Izabella Teixeira, a situação é pior no Parque Nacional das Emas, no interior de Goiás, que foi totalmente destruído pelo fogo, iniciado no dia 13 deste mês.

As condições climáticas desfavoráveis (baixa umidade) e o grande número de queimadas ilegais, feitas principalmente por agricultores, são os principais responsáveis pelo alto índice de incêndios, segundo a ministra Izabella Teixeira.

Em 2010, cerca de 46 mil focos de queimadas foram registradas pelo Inpe em todo o país. O número representa aumento de aproximadamente 150% em relação aos focos detectados em 2009. Apesar deste ano ter temperaturas mais altas, umidade relativa do ar mais baixa e menos chuvas do que o ano passado, não se deve creditar o aumento de incêndios às causas climáticas, de acordo com a pesquisadora do instituto, Karla Longo.

“O fato de termos uma estação seca e outra úmida, é natural, mas uma estação de queimadas é opção do país. As pessoas assumem essa sazonalidade como normal, o que não é verdade”, explicou a pesquisadora. Segundo ela, as condições atmosféricas favorecem os incêndios e 99% das queimadas são provocadas, mas as principais causas são econômicas e culturais.

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