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Responsabilidade Social

26 de Novembro de 2009

 

TEDx: Racismo Ambiental por Paulo Saldiva

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Ideias inovadoras de pensadores brasileiros. O que o Brasil pode oferecer ao mundo? É o que vamos conhecer com as palestras do TEDx São Paulo, evento realizado no dia 14 de novembro de 2009, na cidade de São Paulo, seguindo o modelo do sucesso norte-americano.

O primeiro palestrante do TEDx apresentado aqui no EcoD é o médico e pesquisador Paulo Saldiva, um cientista ativista que pesquisa os impactos da poluição urbana na saúde dos cidadãos. Saldiva é chefe do serviço de patologia do Instituto do Coração da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental do CNPq.

Para começar o pesquidor questiona o paradoxo que se encontra o modelo de nossas sociedades. Por exemplo, a AIDS mata quase mil pessoas por ano em São Paulo. A poluição do ar mata 4 mil. A AIDS é considerada um problema de saúde pública. A poluição do ar não. Cuidar de poluição dos carros não é assunto do sistema público de saúde – é da secretaria dos transportes, e ninguém leva em conta o impacto nos pulmões da população na hora de projetar mais avenidas.

Saldiva coloca o homem como ponto central da questão ambiental. O médico lembra que há o homem agressor, mas há também o homem impactado e por isso devemos prestar atenção nas consequências e impactos de nossas medidas.

Hoje o modelo econômico mundial produz algo que Saldiva intitula de “racismo ambiental”. Que nada mais é que quem é forte economicamente precisa fazer com que seus negócios ampliem ainda mais. E para isso não consideram nenhum aspecto moral e ético.

Assim, grandes economias exploram o planeta e produzem sem parar, enviando os artigos mais poluidores e de menor qualidade para as sociedade mais pobres. Um exemplo local: “O ônibus velho que não pode rodar no corredor 9 de Julho (SP) desaparece no ar? Não, ele vai para a periferia ou para cidade de menor porte.”, lembra Saldiva. “Então não é só a Inglaterra que empacota fralda suja e manda em contêineres para gente, nós também fazemos isso.”, conclui.

O problema é que ninguém quer pagar a conta, nem se preocupar em como mudar este modelo. “Devemos discutir os aspectos éticos desta questão.” Para Saldiva, não se pode pensar apenas em mitigação ou adaptação dos grandes problemas que o mundo enfrenta a partir de erros e interesses humanos. Mas sim repensar se o modelo em que vivemos vale ou não à pena. “Temos que trabalhar com noções de limites.”, garante.

TEDxSP 2009 - Paulo Saldiva from TEDxSP on Vimeo.

Paulo Saldiva desloca-se para o trabalho de bicicleta atravessando as principais veias da cidade de São Paulo, pois acredita que assim economiza tempo e ganha saúde. Não é à toa: os dados levantados em suas pesquisas revelam que dentro do carro o paulistano respira quatro vezes o nível de poluição aceito pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e que cresce o número de óbitos por doenças cardiovasculares sempre que ocorre greve no transporte público.

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