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Arquitetura e Construção

09 de Setembro de 2011

 

Amsterdam – primeiras impressões

amsterdam
Foto: Divulgação/Nathalia Garcia

Quando aterrisei em Amsterdam, vindo de Copenhagen, eu estava mal acostumada.

Copenhague é como um músico virtuoso. Estudioso, impecável na técnica e na afinação. Lá, se o semáforo de pedestres está fechado às 3 horas da fria madrugada dinamarquesa e não há carros por perto, ainda assim, as pessoas esperam o farol ficar verde para atravessar a rua. É terminantemente proibido pedalar na contramão da ciclovia. A multa são olhares dinamarqueses de repreensão. Peladar na faixa de pedestres é ainda mais grave. A regra é descer e atravessar a rua empurrando. Há faixas exclusivas para carros, ônibus, os veículos motorizados sempre param para pedestres ou ciclistas atravessarem e é muito raro um caso de desrespeito às regras de trânsito. Se Copenhagen fosse uma cantora, seria a Ella Fitzgerald.

Mas, enquanto a capital dinamarquesa é tão vistuosa, Amsterdam tem como características o improviso e o chame das pequenas imperfeições. Amsterdam é Billy Holiday. Aqui é possível entender o significado de fluidez. Não é aquele conceito retrógrado utilizado pela Central de Engenharia de Tráfego (CET) paulistana, segundo o qual a rua que flui é a rua onde passam mais carros. A fluidez dinamarquesa tem a ver com a harmonia de diferentes modais de transporte transitarem em várias direções ao mesmo tempo em baixa velocidade sem ninguém atropelar ninguém (claro que há acidentes de trânsito, mas são raros). Você se prepara para atravessar a rua, vem vindo um traim pela esquerda e uma bicicleta ao lado dele, bem mais rápida, que o corta pela frente e sobe na ciclovia atrás de você, o traim soa uma buzina simpática, que parece um sino, e chega sua vez de atravessar. A princípio essa bagunça pode assustar, mas como bem disse o amigo jornalista Denis Russo, que encontrei por aqui, em Amsterdam há uma porção de “ilhinhas” entre faixas de carros e trilhos de traim. Parece um antigo jogo de videogame em se se vai pulando de patamar em patamar entre obstáculos. E, nas ilhinhas, estamos sempre seguros.

Posso dizer que me casaria com Copenhagen, mas certamente teria um caso com Amsterdam.

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Ainda na lógica dos espelhos em negativo, posso dizer que os assuntos abordados por aqui serão BEM diferentes dos discutidos em Copenhagen. Por aqui, uma das coisas que faz com que a cidade seja melhor para as pessoas é a TOLERÂNCIA. Em relação às drogas, à prostituição, às minorias étnicas, aos judeus, aos homossexuais… há inclusive estudos que levantam as vantagens econômicas da tolerância para uma cidade. Tolerância não significa libertinagem desenfreada ou falta de controle. No caso das drogas, elas simplesmente esse deixaram de ser um assunto de justiça para se tornar um assunto de saúde pública. E parece que vem dando certo, já que a holanda está entre os países com as taxas mais baixas de uso de drogas pesadas. Amsterdam foi a primeira cidade a permitir a religião judaica, a realizar um casamento gay, a liberar a prostituição e as drogas leves. E estou tentando descobrir o que podemos aprender com isso.

Outro assunto bem importante é a maneira como a cidade lida com a água. O sistema de urbanização dos canais por aqui e a forma como são mantidos até hoje têm muito a ensinar às cidades brasileiras.

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