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24 de Abril de 2012

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Indústrias têxteis chinesas desrespeitam leis ambientais do país, afirma relatório

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Água vermelha poluída do rio Jianhe em Luoyang, província de Henan, na China, em 13 de dezembro de 2011/ Foto: Reuters/China Daily

Em 2010, a indústria têxtil da China processou cerca de 41,3 milhões de toneladas de fibra, o que equivale a 54% da produção total do mundo, segundo o portal China Daily. Nesse mesmo ano, a China exportou mais de 212 bilhões de dólares em produtos têxteis e de vestuário, responsável por 34% das exportações globais. Mas toda essa roupa do planeta tem suas desvantagens. A indústria têxtil produz cerca de 2,5 bilhões de toneladas de águas residuais e outros poluentes a cada ano, contaminando o ar, rios, lagos, oceanos e até mesmo o solo e águas subterrâneas.

Um relatório conjunto apresentado, no mês de abril de 2012, por cinco organizações de base ambiental, intitulado "Limpando a Indústria da Moda", mostrou que cerca de 46 marcas de vestuários importantes da indústria têxtil chinesa, incluindo a Abercrombie & Fitch, Adidas, H & M, Nike, Uniqlo, Victoria's Secret e Zara, têm ligações com fábricas que regularmente desrespeitam as leis ambientais do país.

Segundo as organizações ambientais responsáveis pelo o relatório, a EnviroFriends, o Instituto de Assuntos Públicos e Ambientais, a Beagle Verde, Nanjing Greenstone e Amigos da Natureza, a China possui normas ambientais para evitar a poluição das águas pelas indústrias têxteis, no entanto, faltam recursos para o cumprimento eficaz, interesse local e respeito as leis e regulamentações governamentais.

De acordo com o portal, mesmo se houvesse fiscalização adequada, as multas e punições atualmente em vigor são insuficientes para evitar a reincidência. O Mapa de Poluição da Água do  IPE da China tem registrado mais de 6 mil infrações ambientais por parte das empresas têxteis chinesas desde sua estreia em 2006.

A ideia do banco de dados é listar as ações ilegais, como: descarga de águas residuais de tubulações subterrâneas secretas; descarga de águas residuais não-tratadas diretamente nos rios; o abuso nos níveis permitidos de poluentes descarregados, ampliando a capacidade de produção sem certificação; e não usar tratamento de águas residuais de instalações em uma base regular.

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A indústria têxtil produz cerca de 2,5 bilhões de toneladas de águas residuais e outros poluentes a cada ano, contaminando o ar, rios, lagos, oceanos e até mesmo o solo e águas subterrâneas / Foto: Reprodução

Muitos destes poluidores fornecem produtos aos varejistas de vestuários multinacionais e marcas, de acordo com as investigações dos grupos. Apesar de várias empresas terem fortes políticas corporativas de responsabilidade social, elas são raramente aplicadas a nível local.

"No futuro, nós esperamos profundamente que os varejistas e marcas criem sistemas de gestão pró-ativa, e possa realizar melhoramentos por meio de controles regulares de informações publicamente disponíveis sobre infrações ambientais, além de incentivar fábricas com as violações a dar explicações ao público", explicou o relatório.

Embora a descoberta não seja surpreendente, os autores do relatório esperam que ele funcione para alertar sobre o alto preço que o país está pagando por seu papel com a "oficina de vestuário para o mundo".

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