Acumule roupas antes de ligar máquina de lavar
Use o máximo da capacidade de utensílios domésticos como maquinas de lavar, secadoras ou ...Por Lise Lobo
O Brasil possui quase 20% de toda a água doce disponível na Terra. Mas, devido à falta de investimentos e planejamento, assistimos ainda problemas como seca, poluição, má utilização e desperdício. Alcançar soluções pode parecer uma tarefa não muito fácil, ainda mais para pessoas jurídicas, que são grandes consumidores de recursos e precisam conciliar o uso racional de matéria-prima, lucro e demanda, em prol da preservação dos recursos naturais.
De acordo com especialistas, pensar na água e na sua conservação deixou de ser uma questão puramente econômica para muitas empresas e se tornou em um diferencial competitivo. Dessa forma, já é possível encontrar no cenário brasileiro empresas que buscam soluções para os problemas da água.
A empresa Foz do Brasil e a Sabesp, criaram o Aquapolo Ambiental, o maior projeto de água de reuso para fins industriais do Brasil
Foto: Aquapolo/Divulgação
A aposta do setor está na criação de projetos e programas para alcançar o uso ordenado, integrado e consciente do recurso. Tendência aliada à cooperação, onde o setor público, privado e ONGs trabalham juntos em papéis distintos, como financiar, implantar, manter e fiscalizar. São programas cooperativos que visam desde tratamento das águas, até reutilização, redução e ampliação de fornecimento.
Um exemplo dessa estrutura está em uma iniciativa no qual empresas e organizações não governamentais juntas tornaram possível a concretização de um projeto de reflorestamento das margens de rios e efluentes da Grande São Paulo. É o programa cooperativo Água das Florestas, que ao recompor a mata ciliar, melhorou a qualidade da água, segundo conta Malu Ribeiro, coordenadora do projeto. Conheça esse e outros exemplos destacados pelo EcoD:

O objetivo do projeto foi recuperar e proteger mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos
Foto: Marcelo Trad
O programa Água das Florestas é um exemplo de que o trabalho com cooperação rende bons frutos. Graças à união entre a Coca-Cola Brasil, a Fundação SOS Mata Atlântica, a comunidade e os produtores rurais, foi possível melhorar a qualidade da água da região da Grande São Paulo em apenas três anos. A região é considerada pelas Nações Unidas como uma área de conflito no Brasil por falta de água, sendo comparada ao sertão nordestino.
O objetivo do projeto foi recuperar e proteger mananciais de água através da recomposição florestal de margens de rios e lagos. Segundo Malu Ribeiro, gestora ambiental da Fundação SOS Mata Atlântica, foram obtidos resultados únicos. O projeto transformou 14 pontos de água com qualidade ruim, devido à poluição decorrente do lançamento de esgoto e do desmatamento, em apenas um - sendo dois considerados de boa qualidade e o restante aceitável. Uma estatística destacada pela gestora como única no Brasil.

Malu Ribeiro mostra área de floresta devastada que está sendo feito o trabalho de replantio
Foto: EcoD
Lançado em 2007, o programa foi financiado pela Coca-Cola no intuito de minimizar a pegada hídrica da sua cadeia produtiva. "É sem dúvida uma boa solução que pode ser replicada, mas a expansão em regiões urbanas precisa de outros instrumentos, de mais tecnologias e desafios associados aos planos diretores municipais", ressaltou a Malu Ribeiro.

Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, no lançamento do Banco CYAN no Dia Mundial da Água de 2011
Fotos: Divulgação
Enquanto empresas buscam soluções para a água direto da fonte, como despoluir os rios, outras tentam atingir os causadores do problema: a própria sociedade. É o que faz o Movimento CYAN, criado pela empresa de bebidas Ambev.
Tudo começou com o Banco CYAN, no qual o uso consciente da água virou moeda de troca. Na iniciativa, as pessoas têm acesso à média de consumo de água de seu imóvel e, à medida que elas diminuem (ou até mesmo mantêm) o consumo, ganham pontos que podem ser usados como descontos em compras na internet e na assinatura de revistas. O resultado é a economia de mais de 6,5 milhões de litros de água todos os meses por milhares de paulistas.
Para a empresa, preservar a água faz sentido para a sustentabilidade do seu próprio negócio, afinal de contas, a água é a principal matéria-prima dos produtos.
A realização do projeto foi feita em parceria entre a Ambev, as concessionárias de água dos estados do Rio de Janeiro (a Cedae), São Paulo (Sabesp) e o município de Uberaba em Minas Gerais (a Codau), assim como, entre as lojas de compras on-line e a própria população.
Segundo Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais da Ambev, essas parcerias são essenciais. "Temos realizado um trabalho bastante estruturado para engajar o maior número de pessoas para a conservação e consumo consciente da água. Acreditamos que 'um mundo melhor' se constrói assim, em equipe, com o envolvimento e comprometimento de toda a sociedade. O trabalho integrado faz a diferença", concluiu.
Segundo o diretor-presidente do Aquapolo, Marcos Asseburg, reaproveitar o esgoto das estações de tratamento atende à crescente demanda da indústria por água deixando de utilizar água potável para fins industriais
Fotos: Divulgação/Aquapolo
Os pólos industriais são grandes consumidores de água. Uma notícia nada boa quando eles estão instalados em localidade que sofre com a escassez do recurso. Pensando nisso, a empresa Foz do Brasil (empresa de soluções ambientais da Organização Odebrecht) e a concessionária de São Paulo, a Sabesp, criaram o Aquapolo Ambiental, o maior projeto de água de reuso para fins industriais do Brasil.
A iniciativa foi tomada no intuito de suprir a demanda do Pólo Petroquímico de Capuava da Braskem. Uma das maiores empresas petroquímicas do mundo, a Braskem sentiu a necessidade de buscar soluções sustentáveis nas suas operações industriais, já que utiliza cerca de 450 milhões de litros de água mensalmente - um número elevado para uma região da Grande São Paulo que fornece em média 140 mil litros de água por habitante/ano, menos de 10% do que a ONU considera ideal.

Tanque de Membranas de Ultrafiltração do Aquapolo Ambiental
Segundo Marcos Asseburg, diretor-presidente do Aquapolo, produzir água de reuso, a partir de esgoto tratado, foi a solução encontrada tanto para a permanência do Pólo, quanto para resolver o problema de falta de água da região. "A água de reuso é um produto fundamental para a preservação de recursos hídricos, sem limitar o crescimento econômico de determinada região. Ao reciclar e reaproveitar o esgoto das estações de tratamento, atende-se à crescente demanda da indústria por água e deixa-se de utilizar água potável para fins industriais", pontuou Asseburg.
Asseburg explicou ainda que toda essa estrutura só foi possível graças a parceria com a Sabesp. "A sinergia entre os setores públicos e privado é um caminho viável para se equacionar grande parte das questões, entre elas a dos recursos hídricos. Ao se unirem, as duas companhias contribuíram com suas expertises de forma complementar", declarou.
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