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Estações rápidas de transferência de passageiros e vias exclusivas para ônibus caracterizam o sistema de transporte público em Curitiba/Foto: cabeza do radio
O Ônibus de Trânsito Rápido, também conhecido como Bus Rapid Transit (BRT, na sigla em inglês), é um sistema alternativo de transporte público já utilizado por cidades como Curitiba e Bogotá-COL, no qual o objetivo é viabilizar o deslocamento rápido dos passageiros por meio de estações de transferência e corredores exclusivos.
Nesta quarta-feira, 26 de maio, o ex-prefeito da capital paranaense e atualmente consultor na área de transporte urbano, Jaime Lerner, afirmou ao jornal Brasil Econômico que a implantação do BRT está próxima de sair do papel em metrópoles como Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo.
“Transporte subterrâneo, como metrô, custa até 50 vezes do que o sistema de BRT. Além disso, a operação em trens urbanos tem que ser subsidiada, já que não há receita suficiente que sustente o sistema. É por isso que muitas cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 já estudam a viabilidade desse novo modelo de transporte", explicou Lerner.
Segundo ele, cada quilômetro de metrô custa cerca de US$ 100 milhões (o equivalente a R$ 186,9 milhões). “O tempo de implantação do sistema é infinitamente inferior ao do metrô e isso é que tem atraído os governantes para essa nova possibilidade de transporte urbano”, ressaltou Lerner. O ex-prefeito de Curitiba defende que, por operar em superfície, um sistema de BRT eficiente pode transportar o mesmo número de passageiros que o metrô.
“Hoje, 84% dos sistemas metroviários do país são de superfície. Dando as mesmas condições de embarque e desembarque para as pessoas, o BRT faz mais sentido para a realidade brasileira.” Em Curitiba, 25% das pessoas que têm carros utilizam o transporte público, fator que diminui o tráfego, melhora a mobilidade urbana e reduz as emissões de gases causadores do efeito estufa.
Na América Latina, além de Bogotá, onde o BRT foi batizado de Transmilênio, cidades como Santiago (Chile) e Lima (Peru) estão em fase de implementação do sistema. A Mercedes-Benz do Brasil é uma das principais fornecedoras de ônibus para a iniciativa em todo o mundo. A empresa vendeu 600 veículos articulados para a África do Sul, onde os coletivos serão usados nas cidades-sedes da Copa do Mundo. Já para a capital chilena foram comercializadas 1,5 mil unidades.
“Temos a melhor tecnologia de operação do mundo, que hoje é levada a outros países e os maiores fabricantes de ônibus têm unidades no Brasil. Além disso, há financiamento disponível para este tipo de projeto”, destacou o vice-presidente comercial da Mercedes-Benz do Brasil, Joachim Maier.
Atualmente, entre 5% e 10% da produção da empresa é vendida para o sistema. A Mercedes acredita que são boas as chances de as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo de 2014 implantarem o BRT. Caso a estimativa se concretize, a demanda por ônibus deverá subir para cerca de 4 mil unidades.
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