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Foto: Gonzalo Deniz
Após o governo japonês reconhecer que planejou evacuar Tóquio e pensar no "fim" da cidade depois do acidente nuclear de Fukushima, a organização ambientalista Greenpeace culpou os dirigentes pela tragédia nuclear.
Segundo a organização, a tragédia nuclear foi provocada por falhas do governo japonês, de órgãos reguladores e da indústria nuclear e não pelo terremoto seguido de tsunami que atingiu o Japão há quase um ano. A afirmação foi divulgada esta semana no relatório “Lições de Fukushima”.
O ativista do Greenpeace Jan Vande Putte ressaltou que o desastre natural “apertou o gatilho” para o vazamento de Fukushima, mas que os responsáveis foram as autoridades japonesas, que priorizaram o poder econômico em detrimento da segurança. “Os governos são velozes para aprovar novas instalações, mas lentos para modernizá-las e para proteger as pessoas de desastres. Isto não mudou desde Fukushima e é por isso que milhões ainda continuam expostos ao perigo nuclear”, ressaltou Putte.
Conclusões
O relatório chegou à algumas conclusões principais. São três:
O documento conta que, por exemplo, apenas alguns dias antes do desastre, a TEPCO informou a Agência de Segurança Industrial e Nuclear do Japão de que a planta Fukushima-Daiichi poderia ser atingida por uma tsunami maior do que 10 metros, enquanto o complexo conseguiria aguentar uma de no máximo 5,7 metros. Após o incidente, foi revelado que o aviso veio de um estudo interno da empresa, de 2008, mas os oficiais o classificaram como “irreal”.
O Greenpeace apela para que o governo japonês para de investir em energia nuclear, voltando-se para uma política de eficiência energética e fontes renováveis. O documento recomenda ainda um processo de abandono da energia nuclear em todo o mundo até 2035.
O relatório, de 52 páginas, foi elaborado pelos especialistas David Boilley, físico nuclear do laboratório de radiação francês ACRO; David McNeill, correspondente no Japão para o ‘The Chronicle of Higher Education’ e outras publicações; e Arnie Gundersen, engenheiro nuclear da Fairewinds Associates. O documento passou ainda pela revisão de Helmut Hirsch, especialista em segurança nuclear.
Acesse o relatório na íntegra (em inglês)
Com informações do Carbono Brasil
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